VIVENCIE O EXTRAORDINÁRIO

Nossa vida no mar - A história de uma família que foi morar a bordo

Nossa vida no mar - A história de uma família que foi morar a bordo

07.12.2021

"Nossa vida no mar" - A história de uma família que foi morar a bordo

 

Nosso post de hoje traz o exemplo e a história de uma família que conseguiu tomar a decisão de largar tudo e ir morar a bordo.

Este é um sonho de muitos que amam navegar, mas que ainda não tiveram coragem ou condição de mudar de estilo de vida.

Como somos entusiastas da navegação, resolvemos compartilhar com todos o depoimento de Alessandra Machemer, cliente da Wind, que esteve com a sua família navegando com a gente nos útlimos dias de novembro de 2021.

Confira a sua história:

     

"Último biquíni colocado na mala: finalmente começava nossa tão sonhada, tão planejada jornada: seriam 2 anos vivendo a bordo, velejando pelo mundo em família, no nosso tão esperado Biguá.

Exatamente como a gente lia nos livros.

Foram 5 anos dedicados a esse projeto. O sonho, porém, era anterior a isso. Começou quando compramos nosso primeiro veleiro, o Kanaloa, em 1998. De lá até nossa partida haviam se passado 20 anos, período em que acumulamos experiência e 2 filhos.

Nós começamos no mundo da vela nessa época. Eu, (Alessandra) sem nenhuma - NENHUMA - experiência prévia em qualquer tipo de embarcação. O Márcio com algumas velejadas quando criança no barco do avô.

Fizemos um rápido curso de vela de oceano e estávamos prontos para adquirir nosso barco. Ou pelo menos pensávamos que estávamos. Fomos aprendendo juntos, acertando e errando, e o Kanaloa se mostrou um bom professor.

Depois dele, compramos nosso segundo barco, o Aruna: um barco de 43 pés, maior e mais moderno. Era 2010 e as crianças já velejavam conosco.

Se o Kanaloa foi nosso professor, o Aruna foi quem nos mostrou que era possível viver a bordo em família por longos períodos. Graças a ele, nosso antigo sonho, que andava meio adormecido, foi resgatado.

Planejamos um período de 5 meses vivendo a bordo, como teste.

Em outubro de 2012 o Márcio levou o barco do RS até Paraty e eu e as crianças fomos encontrá-lo no final de novembro quando as aulas acabaram. Passamos todo esse período entre Paraty, Ilha Grande, Ilha Bela e Florianópolis.

Em março de 2013 quando voltamos para casa a gente sabia que tinha que fazer algo maior. A partir daí começamos a planejar nossa grande viagem.

Era um projeto com início, meio e fim. Um roteiro pré-estabelecido obedecendo os desejos da família e respeitando as temporadas em cada local.

Foi muita pesquisa, muito estudo, muitos vídeos assistidos, muitas consultas a velejadores mais experientes. Quando a gente quer fazer algo do tipo largar tudo e ir morar num veleiro, surgem milhões de questionamentos. Mas a gente queria. Muito. E quando se deseja muito alguma coisa,  de alguma forma as coisas começam a acontecer para que esse sonho se torne realidade.

Para viabilizar o projeto muitas coisas precisavam ser resolvidas: o dinheiro, colégio das crianças, trabalho, o que fazer com a casa ( e praticamente tudo que tinha dentro dela), vender os carros, quem vai cuidar dos nossos (cinco) cachorros! Tínhamos que vender o Aruna também. Tínhamos decidido , por diversas razões, que a viagem começaria na Europa, e mais: em um catamarã. E assim começou nossa longa busca pelo barco certo. (Aqui vale um parêntese. Não existe barco perfeito. Existe um barco adequado para cada tipo de projeto.)

Marcar a data de início também foi importante para trabalhar com mais foco. No início de 2018, já com data marcada para receber o barco e passagens compradas, ainda tínhamos coisas para resolver. Muitas se resolveram na última hora e outras ficaram pendentes e fomos assim mesmo. Se a gente fosse esperar tudo estar cem por cento certo não teríamos saído nunca.

Nossa aventura em família começou na França. Recebemos o Biguá, um Lagoon 42, em Le Sables D’Olonne em fevereiro. Estava frio e nevando. O  clima ficou assim por muito tempo. Foram 2 meses de frio, chuva e neve  mas tínhamos que  preparar o barco e aproveitamos para fazer isso.

Recebemos material escolar para o homeschooling, equipamos nossa casa flutuante e fomos aprendendo mais sobre o catamarã, afinal, nunca tínhamos velejado em um.

Quando a meteorologia permitiu, atravessamos o Golfo de Biscaia (pior mar que pegamos na nossa viagem) e chegamos à Espanha. Conhecemos diversos portos diferentes, fomos a Portugal, atravessamos o estreito de Gibraltar e chegamos as Baleares no início da temporada. Aproveitamos toda a temporada nas ancoragens lindas e águas cristalinas de Formentera, Maiorca, Ibiza e Menorca, fomos à Itália, passando pelo estreito de Bonifácio, fizemos a costa da Sardenha e chegamos até Ostia, para as crianças conhecerem Roma.

Quase no final da temporada fizemos o caminho inverso:  Ponza , Sardenha, Baleares, Cartagena e Gibraltar. A ideia era ficar 4 dias em Gibraltar e fazer a travessia até as Ilhas Canárias, mas o tempo estava péssimo com um furacão atingindo Portugal. Tivemos que aguardar 12 dias para sair.

Nossa travessia até as Canárias, na costa da África foi incrível. Tudo correu bem e aprendemos muito.

Nas Canárias começamos a preparar o barco para a travessia do Atlântico. Foi 1 mês de atividade intensa. Conhecemos muita gente e aprendemos muito nesse período.

Nossa travessia do Atlântico durou 21 dias e chegamos ao Caribe prontos para outra. Descobri que gosto de travessias longas.

O Caribe era algo que eu desejava muito. E foi meio diferente do que imaginei. Muito vento, muitos barcos, muitos lugares destruídos por furacões, problemas com roubo, pirataria. Mas a parte que tínhamos imaginado também tinha: águas maravilhosas, peixes e corais incríveis, golfinhos saltando ao redor. Fizemos o Caribe das Grenadines até Turks and Caicos, passamos por diversas ilhas, incluindo uma temporada em Cuba.

No final da temporada descemos todo o Caribe até Bocas del Toro no Panamá. Um lugarzinho mágico, viu? Não queríamos mais sair de lá. A essa altura, estavam fechando nossos 2 anos de viagem e nosso plano inicial era vender o barco e retornar. Mas quando se está vivendo essa vida, coisas começam a acontecer e resolvemos estender por mais 1 ano a aventura. Tínhamos vendido a casa no último ano e resolvemos ficar mais. Deixamos o barco em Bocas e voamos para o Brasil para retirar nossos objetos pessoais da casa e entregá-la ao novo proprietário. Resolvemos a questão dos cachorros, organizamos o início da faculdade do Henrique e voltamos para o Biguá.

No Início de 2020, estávamos em San Blas quando começamos a ouvir falar sobre um vírus que se espalhava rapidamente pelo mundo. Não sabíamos muita coisa, apenas que muitos italianos estavam morrendo por causa da infecção. Tudo era muito novo e estávamos vivendo em um lugar tão isolado que era difícil imaginar o que estava acontecendo. Começamos a sentir os efeitos da pandemia quando percebemos que estávamos presos em San Blas sem possibilidade de sair e sem ter para onde ir. Os índios que administram o local, fecharam as estradas e os portos e ninguém saía ou entrava nas ilhas. A comida começou a escassear também e passamos algum trabalho por um tempo. Nunca comemos tanta banana na vida... Apesar das dificuldades nos considerávamos afortunados por estar naquele local paradisíaco, seguro e sem nenhum contato com o COVID.

Em maio de 2020 tínhamos uma importante decisão, faltavam poucos dias para começar a temporada de furacões e nossa ideia era ir para os USA para vender o Biguá e encerrar a viagem. A outra opção seria passar mais uma temporada no Panamá pois praticamente o mundo todo estava fechado…mas os Estados Unidos ainda estavam abertos.

Conseguimos o documento para sair do pais, provisionamos o barco em Linton no Panamá através de uma empresa de Catering (sem nenhuma banana dessa vez) e partimos no dia em que o primeiro furacão atingiu a costa dos Estados Unidos. Foram 10 dias atravessando o Caribe todo em uma navegada bem dura de contravento. No dia 02 de Junho chegamos à Flórida aliviados. Demos entrada nos Estados Unidos sem burocracia e sem quarentena.

Subimos a costa americana até Maryland e começamos o processo de venda do Biguá. A essa altura queríamos voltar para casa, o Henrique, nosso filho, tinha voltado ao Brasil por causa da faculdade e nós 3 continuávamos nos EUA. O barco demorou mais do que imaginávamos para vender. Ficamos 5 meses em Edgewater, uma cidadezinha ao lado de Anápolis. Não tinha muita coisa para fazer por lá. Tudo fechado por causa da pandemia, o Brasil e os Estados Unidos eram os países com maior número de casos e mortes por COVID no mundo. Vendemos o Biguá em outubro e voamos de volta à vida normal (normal???)

Em outubro de 2021 programamos um charter com a Wind charter de nossos amigos Germano e Guilherme. Estávamos há 1 ano sem velejar.

Fomos para Paraty de carro, parando em várias cidades pelo caminho. Chegar em Paraty depois de todo esse tempo e com uma nova visão de mundo foi uma agradável surpresa.

Essa uma semana a bordo reavivou nossos últimos anos e percebemos o quanto gostamos dessa vida. Velejamos em um Delta 365 novinho em folha e ao final da semana a vontade era de pegar um barco e sair pelo mundo outra vez. A gente tinha uma lembrança carinhosa desse lugar. Mas depois de termos visto tanta coisa, em tantos países diferentes, a Baia de Ilha Grande nos pareceu ainda mais especial. A natureza quase intocada, as diversas ancoragens e praias, a abundância de vegetação, cachoeiras, trilhas, águas calmas, mornas. Além da possibilidade de navegar o ano todo, sem inverno rigoroso ou temporada de furacões. Somos pessoas privilegiadas por termos tudo isso no nosso país.

E a possibilidade de fazer isso, mesmo sem ter um barco, é incrível.

Quando fizemos nossa experiência de vida a bordo em 2012, a gente tinha um barco. Mas hoje, pessoas que não tem barcos também podem experimentar e ter essa vivência.

Nossa vontade é voltar mais e mais vezes. E para quem ainda não teve a oportunidade de passar um tempinho vivendo em um veleiro a experiência pode ser transformadora."

     

Aos queridos Marcio e Alessandra, muito obrigada pelo depoimento e pelas imagens dessa família linda em sua aventura pelo mundo. (Concedidos todos os créditos pelo conteúdo e imagens à família Machemer)

Ficamos encantados com a coragem e com a bela experiência que vocês viveram e compartilharam. É sempre um prazer tê-los a bordo, torcendo para o seu breve retorno aos nossos barcos.

E você, já teve vontade de morar a bordo e viver uma super experiência com a sua família?

Que tal vir experimentar a vida no mar, aqui em Paraty, com os melhores barcos disponíveis para charter no país?

Não perca tempo e venha fazer a sua reserva. O verão está só começando.

Até breve e bons ventos para todos!